Dia da Mulher

Hello, meus amores! Advinha que dia é hoje?

SIMMMMMMMMMMMMM é NOSSO!!!!! (Menos pra você, homem, que tá lendo esse post, mas tá tudo bem também!)

Tenho a leve impressão de que hoje deveria ser feriado mundial – acho justo! – afinal, o que seria do mundo sem nós, não é mesmo? (Egocentrismo batendo).

Hoje é dia de festa, de receber chocolatinhos (menos uma certa marca), flores (ou não, vai que você não gosta?), de receber trocentas mensagens nos grupos de WhatsApp com congratulações, memes, recadinhos amorosos do quanto somos fortes e que merecemos isso e muito mais.

Hoje é dia de ler Jane Austen, se você for romântica, de assistir Jessica Jones, se você for Geek (estreou hoje a segunda temporada – dia mais propício, não há).

Emendar assistindo outra série maravilhosa, com uma protagonista maravilhosa, dizendo esta frase maravilhosa: I’m not meek and obedient type.

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É dia de cantar Beyoncé no chuveiro – ou karaokê, ou onde quiser – e se sentir “Flawless”. De recitar Simone de Beauvoir (porque ela é diva e manja dos paranauê), de se olhar no espelho e dizer “Meu Deus, como sou fabulosa!”

E de beber caipirinha, porque sim! Vamos todas celebrar esse dia! Mas … celebrar o que mesmo?

Tema de Hoje: Já agradeceu pelo sutiã queimado?

Muita gente conhece a data – 8 de Março – mas não sabe bem porque essa data ou o que ela simboliza.

Há tantos movimentos envolvidos que, se formos falar sobre cada um em detalhes, isso não seria um texto e sim uma enciclopédia, mas história é vida e uma sociedade sem conhecimento histórico é uma sociedade sem memória e uma sociedade sem memória é uma sociedade alienada.

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Graças a Deus, este é um publico que é apaixonado por uma série em que são mostrados os desafios de ser mulher no séc XVIII e isso facilita o entendimento do que era ser mulher naquela época: Ninguém. Sim, ninguém!

Dois, quase três séculos antes, tivemos o maior feminicídio – Morte de mulheres em razão do seu sexo – já registrado, APENAS PARA PURIFICAR A SOCIEDADE DO MAL. Me refiro ao julgamento de mulheres por atos de bruxaria. Mas que atos seriam esses? Bem… só para ilustrar alguns dos atos hediondos que tais cometeram:

Se você tivesse um pouco mais de conhecimento, poderia ser considerada bruxa, se passasse tempo demais com os animais, poderia ser considerada bruxa, se tivesse muitas amigas, poderia ser considerada bruxa, se tivesse uma marca de nascença – certamente – seria bruxa.

No final das contas tudo era uma justificativa para uma condenação a morte. Com o passar do tempo, os julgamentos acabaram, mas a hegemonia masculina e a inferiorização feminina continuavam.

Uma mulher era um ser sem voz, sem querer e sem opinião, cuja função era unicamente procriar. Pra resumir, éramos – nós, mulheres – criadas para entender que tudo que deveríamos almejar tinha que, como obrigatoriedade, ser voltado unicamente para o lar, para ser mãe, esposa e cuidar da casa.

Sua vida começa quando você se torna casada, você só será plena quando tiver filhos e só pode ser feliz se tiver um marido.

Se não sonhasse em ser mãe e cuidar da casa, era uma desnaturada. Se não quisesse estar com o parceiro que lhe fora escolhido, ou se, por ventura, beijasse mais de um homem na vida, era uma libertina.

Se estivesse sozinha – ou acompanhada, ou quieta no seu canto, com seus afazeres – e fosse estuprada, sua reputação estaria arruinada. Até porque, uma mulher que anda sozinha, certamente é puta!

Então, surgem faíscas. E se eu quiser ser escritora? Se eu quiser ser professora? Se eu quiser ser musicista? E se eu quiser lutar na guerra? Se eu quiser ser governante? Acha demais?

E SE EU QUISER O DIREITO AO VOTO?

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Pelo amor de Deus! Que absurdo! Como assim você quer entender de leis, política, governo? Primeiramente, seu lugar é em casa! Se você estiver em casa, cuidado dos seus filhos e dos seus pouquíssimos afazeres como dona de casa, certamente vai se sentir muito melhor do que discutir sobre assuntos são enfadonhos como os direitos civis.

Em segundo lugar, de onde estão vindo essas ideias? Meu DEUS, VOCÊ TEM TUDO QUE UMA MULHER PODERIA QUERER! Não precisa trabalhar e seu marido te dá tudo que necessita. Em terceiro lugar, quem é você pra tirar a paz e a ordem? Tudo que tem que fazer é ser uma mulher de verdade, recatada, calada, quieta e dizer sempre “Sim, Senhor!”.

Mas e se eu for uma mulher dedicada ao lar, excelente mãe, uma boa esposa e ainda assim quiser votar, conhecer as leis e ter direitos civis?

Conhece As Sufragistas? Movimento que começou por causa de uma inquietação, quando Mary Wollstonecraft resolveu escrever um livro chamado “Uma reivindicação ao direito das mulheres”(1792).

Esse livro iniciou uma fagulha, cujo estopim se deu um século depois (mais precisamente em 1897) quando britânicas começaram a fazer protestos pacíficos com um único objetivo: o sufrágio – eleição por meio de votos – o que chamamos de democracia.

Nós temos um problema aqui: Se uma mulher não tem direito a dar opinião, porque ela teria direito ao voto?

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Bem, há um filme que fala sobre isso – As Sufragistas (2015), recomendo – em que você pode ver o desenrolar dessa história.

Apesar de não mostrar o apoio das indianas – falha grave – nem mesmo citar a princesa Sophia Duleep Singh – filha de um marajá indiano, riquíssima, mas que escolheu ser uma ativista pela grande causa – ele te dá uma noção da luta dessas mulheres para ter o que deveria ser comum a todos.

TODOS, sem exceção.

A consequência disso se perpetuou por anos e em vários países – cada nação tem suas leis, não é mesmo?! – mas já era um bom vislumbre do que viria adiante.

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Com revoluções – principalmente a industrial – as mulheres começam a trabalhar fora. Mas o que deveria ser uma conquista, tornou-se um martírio.

Para ser mais simplista, o pensamento dos industriais era o seguinte: Contratar mulheres era mais barato, elas não reivindicariam pelos salários – medíocres – nem reclamariam das condições de trabalho – péssimas – ou da carga horária – 15hrs por dia.

E assim, iam empurrando com a barriga o trabalho excessivo, até que, em 25 de Março de 1911, 130 funcionárias de uma fábrica têxtil morreram carbonizadas em Nova York, dando inicio a uma série de protestos quanto aos direitos e a responsabilidade em relação as condições de trabalho em que as mulheres eram submetidas.

Durante as conquistas, mesmo que a passos de tartaruga, a data deste dia que celebramos, veio através da coragem de 80 mil mulheres que, em meio de uma guerra mundial, marcharam na Rússia buscando nada além dos seus direitos.

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Para falarmos sobre a luta das mulheres, por qualquer coisa, levaria uma eternidade aqui só mostrando o quanto somos e tivemos que ser fortes para conseguir ter o que os homens tem quando nascem, direito de escolha. Nos é imposto padrões de beleza, padrões de convivência, padrões de comportamento, para que sejamos aceitáveis.

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Quando alguém te disser que feminismo, direitos civis e movimentos femininos são “mimimi”, saiba que essa pessoa não sabe o que o movimento da queima dos sutiãs em 1968 significou, não sabe quem foi Magaret Hamilton e que seus cálculos e trabalho incessante tornaram Apollo 11 um marco na história.

Não conhecem Pagu, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e suas contribuições para a arte. Não sabem da importância de Clarice Lispector, Cecília Meireles, Jane Austen ou até mesmo a jovem Anne Frank.

Não entende uma única palavra dos livros de Simone de Beauvoir e não compreende o que é fazer parte de uma minoria.

Minoria não se refere a quantidade de pessoas, refere-se as pessoas que precisam se esforçar duas, três, cinco, cem vezes mais, para ter o mesmo que os privilegiados.

Então, hoje, se você for homem, entenda que a mulher mais próxima precisou estudar duas vezes mais e mesmo assim a sociedade diz que ela não é boa o suficiente e ela não deveria nem estar ali, por isso ela tem que ganhar menos.

Entenda que a sociedade diz que ela não é dona do seu próprio corpo e que ela não tem direito de escolha, porque caso o faça, ela precisa sofrer as consequências dos estigmas. Então, recomendo que a abrace e que celebre com ela as dores e as conquistas, os problemas e alegrias.

Tenha orgulho das mulheres a sua volta, porque elas são guerreiras, não há melhor definição que isso.

CAPAULTIMA

Quanto a você, mulher, lembre-se sempre que não importa o quanto tenha que lutar, o quanto seja difícil o dia a dia, o quanto precisa encontrar coragem para realizar o que almeja, tenha orgulho do que é, dê valor a tudo que nossas irmãs conseguiram, entenda o seu lugar no mundo e o quanto você pode fazer diferença dele.

No mais, vamos para o bar, né?

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CAIPIRINHA PRA TODO MUNDO!!!!

PARABENS PRA GENTE!!!!!!!!

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#PayMyTherapy

#PayMyCaipirinha

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#AMeninaDePatins

 

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